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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A região de uma música só

Na última sema fui entrevistado pelo meu amigo Lucas Aleixo, para o jornal Correio do norte, falando sobre as dificuldades de buscar espaço em uma região de “uma música só”. Segue abaixo a matéria completa:

Falta de diversidade musical é um dos sintomas da deficiência cultural no Norte Pioneiro

Tudo bem que o Norte Pioneiro é uma região interiorana e que no interior a massa desde sempre teve uma quedinha pela música sertaneja. Até porque um lugar de economia basicamente agrária vai, obviamente, se identificar com músicas do campo. O problema é que a moda do sertanejo universitário (que nem de longe lembra a qualidade da música sertaneja de raiz) passou a “esmagar” os outros estilos musicais, monopolizando as atenções das mídias locais.

Todas as rádios da região têm uma programação basicamente com músicas do tal estilo. Claro que a programação é feita a partir da demanda do público, que por sua vez tem a maioria clamando pelas canções Michel Teló e das dezenas de duplas que só se diferenciam pelo nome, já que as músicas são praticamente iguais. Mas maioria não significa totalidade. Os apreciadores de outros estilos musicais se vêem completamente esquecidos.

A situação é a mesma para músicos que não toquem o som da moda. Raramente conseguem encaixar alguma música no play list das rádios ou sequer ter espaço para dar entrevistas e/ou fazer participações especiais em algum programa.

O músico platinense Antonio Altvater é um dos que “rema contra a maré” do sertanejo universitário, ao fazer um som voltado para folk e rock clássico, porém encontra poucos espaços para divulgar seu trabalho na região. Embora já tenha feito participações em rádios de Santo Antonio da Platina, Joaquim Távora e Wenceslau Braz, Antonio reclama da falta de oportunidades em sua terra natal.

“É muito complicado querer trabalhar com música por aqui. Ou você toca o que está na moda, ou seu espaço fica totalmente restrito. Sem preconceito, mas pessoas que não entendem absolutamente nada de música estão formando duplas sertanejas só para aproveitar a onda”, lamenta.

Por essas e outras, Antonio resolveu focar a divulgação de seu trabalho na internet, onde mantém um blog com composições próprias e covers de clássicos do folk e do rock, o que lhe rendeu oportunidades de mostrar seu trabalho em outros lugares. “Já fiz shows fora do Estado e vira e mexe aparece algum convite para tocar, mas a maioria de lugares longe daqui, em outras regiões e cidades maiores”, explica. “Meu blog já conseguiu ser destaque de sites especializados em música, dois CDs virtuais de composições próprias que eu lancei por lá tiveram um grande número de downloads, mas não sei nem se meu vizinho sabe que sou músico”, completa.

Isso que o rock ainda tem lá suas pitadas de resistência, com festivais do gênero realizado com razoável freqüência em algumas cidades, como Jacarezinho, Santo Antonio da Platina, Ibaiti e Siqueira Campos. Mas esses espaços são “cavados” pelos próprios admiradores do rock, sempre contando com a iniciativa de um ou outro benfeitor do estilo.

Para outros gêneros musicais a dificuldade é maior ainda, sendo praticamente censurados pela cultura de massa que predomina.

Situação reflete esquecimentos das questões culturais

A falta de espaço para outros gêneros musicais revela bem mais do que apenas um gosto musical pobre da maioria: a questão escancara a massificação cultural de toda uma região.

Se por um lado os responsáveis por departamentos e secretarias de cultura da região muitas vezes deixam a desejar, por outro lado a rejeição popular para eventos onde o cérebro precise ser usado é grande.

Em Siqueira Campos, por exemplo, o departamento de cultura se esforça para promover eventos e inserir um pouco mais de conhecimento na vida das pessoas, mas, geralmente, a verba não é das maiores e o público deixa a desejar.

Em toda a região raramente aparecem eventos que incentivem à leitura, por exemplo. Quem se lembra quando foi a última vez que seu município promoveu algum tipo de intervenção cultural? Infelizmente essa pergunta é bem complicada de ser respondida.

Falta de espaços também prejudica

O Museu Histórico de Siqueira Campos é o único espaço nos 26 municípios que compõem a Amunorpi (Associação dos Municípios do Norte Pioneiro) destinado a preservar e promover as raízes da região.

Situação caótica também são os da chamadas Casas da Cultura. Os poucos municípios que possuem esses espaços, geralmente não o usam da forma correta. Em Santo Antonio da Platina, por exemplo, a Casa da Cultura está abandonada há um bom tempo e a prefeitura local não parece disposta a mudar esta situação.

Já em Siqueira Campos, a construção que teria essa finalidade está parada há anos. Um grave erro no projeto teria sido o responsável por paralisar a obra e frustrar o sonho dos siqueirenses que vislumbravam contar com uma Casa da Cultura.

Por Lucas Aleixo

Um comentário:







  1. Escutei a musica e parei aqui, muito bom o conteudo de seu blog. parabens...


    Antonio Marques
    Importar da China




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